Colunista | NOSSA OPINIÃO - Rogério Martinez

Giro Marília -Terra chamando, prefeito

O prefeito Daniel Alonso divulgou neste sábado um vídeo com pouca informação e nenhum esclarecimento em repercussão à ordem judicial que tirou do ar as duas rádios mais tradicionais em atividade na cidade, a Itaipu FM e a Clube AM, acusadas de manter um contrato ilegal de arrendamento para a empresária Daniele Alonso, filha do prefeito. Um tiro no pé no meio de muitas crises.

Primeiro pela forma. Daniel foi na manhã de um sábado em meio a um feriado para dentro de uma rádio que a família diz não controlar, para reunir funcionários e dizer que estão fazendo um trabalho excelente.  Daniele foi ao mesmo prédio dizer que com o retorno da empresária Luciana Ferreira, dona das rádios, tudo será solucionado.

Bem. O retorno da empresária, caso seja acompanhado por eventual recurso judicial de sucesso que suspenda a liminar, pode até colocar as rádios no ar. Mas não estará tudo solucionado. Longe disso. 
Mesmo que a liminar caia, o processo e a acusação de arrendamento ilegal continuam para as rádios e para a empresária. E ainda há muito mais a solucionar para o prefeito.

Daniel Alonso tem apenas oito meses de gestão e começa a acumular pacote de adversidades que estão diminuindo o seu mandato em importância, relevância e que em alguns casos podem até reduzir em tempo no cargo.

Em meio a tudo isso o prefeito parece não ter bons conselheiros e não ouvir ideias fora de seu circulo de assessores e amigos próximos. Ignora mensagens de gente que foi companheira de campanha e que vem fazendo análises isentas e de alertas.

Sai da própria administração boa parte da munição para as crises: decisões tomadas com sustos à comunidade, sem discussão; medidas impopulares de supetão com justificativas técnicas poucos convincentes e distanciamento de ideias contrarias como se a gestão fosse um time de ungidos acima de qualquer crítica e suspeita.

Bem, por mais competente que seja, nenhum administrador terá esse grau de iluminação, para usar termos que o prefeito gosta. Assumir esta postura expõe o mandato a um desgaste exagerado para apenas oito meses de gestão.

Acumule a isso problemas não solucionados ou com medidas paliativas. E agrave tudo com um ufanismo por avanços que não passaram pela administração ou têm dela pouca influência. Casos práticos:

- Daniel começou o mandato com popularidade de recém eleito e boas expectativas infladas por medidas comuns que não eram tomadas, como coletar o lixo e colocar nas ruas equipes de tapa buracos. Foi dito aqui, e em outros lugares por gente capacitada, que é o tipo de medida que perde impacto.

A coleta de lixo é coisa essencial e já não há mais moradores dizendo “obrigado Daniel por recolher o lixo”. Da mesma forma, Daniel descobre o que já sabia: os buracos reabrem e as ruas de assalto antigo produzem novos buracos em profusão. E tudo parece ao que era antes.

- Daniel comemora em muitos eventos os avanços da cidade em saúde, serviços e empresas inaugurando obras em que não teve influência alguma ou que têm impacto limitado em sua gestão.

- Daniel passou a última semana gastando energia e tempo para explicar e conter incêndios de crises abertas por medidas oficiais e pela repercussão exagerada – e as vezes mentirosa – de informações que ganham público e ouvidos porque o prefeito perdeu a chance de se antecipar e divulgar as medidas antes de serem tomadas. E sofre por ter pouca interlocução com a comunidade.

- A prefeitura enfrenta pelo menos sete inquéritos civis na Justiça estadual, um deles já transformado em ação judicial com pedido de suspensão dos direitos políticos do prefeito por questões banais na nomeação de assessores.

- A prefeitura da gestão eficiente e cidade próspera vai às ruas em meio de retração na economia punir empresas que tem guias rebaixadas demais e para isso ignora um apelo de negociação feita por uma entidade que Daniel presidiu, sem qualquer campanha anterior de divulgação e orientação ou de necessidade de aplicar em sete meses com a velocidade, o rigor e pressão que não mostoru ainda, por exemplo, com os casos de descontrole e rombo financeiro que diz ter encontrado


E o momento de adversidade foi coroado com uma crise política gerada pelo fechamento das rádios, que não chega à prefeitura e ao prefeito pessoalmente, mas não só envolve sua filha como passa a mensagem de que a nova gestão tem relações e iniciativas para controle de mídia e da informação muito parecidas com tudo o que a cidade teve de nocivo no passado.

O caso é absurdamente diferente do que ocorreu com as rádios Diário FM e Dirceu AM, fechadas por ordem judicial com reconhecimento da Anatel por atividade clandestina e empresas enterradas em um escândalo de vários crimes comuns. Foram rádios lacradas e que deixaram dezenas de trabalhadores à deriva.

Itaipu e Clube não foram lacradas, não sofreram busca e apreensão de documentos, não levaram a uma operação especial da PF. Mas se acumularem vários dias fechadas serão empresas comercialmente prejudicadas com funcionários em risco.

E é de qualquer forma um caso em que Daniel aparece como um gestor que é só mais do mesmo, um prefeito novo cercado por medidas antigas.

O mandato é novo para tanto desgaste mas é também forte e com tempo suficiente para mudar: ouvir  mais as ruas, ouvir gente que foi sendo deixada por este caminho de oito meses, melhorar a interlocução com o cidadão  as lideranças comunitárias e entendendo que nem toda crítica ou notícia ruim é ataque político ou de adversários.

As ruas estão chamando para correção de curso. Seria bom o prefeito ouvir.


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NOSSA OPINIÃO - Rogério Martinez
Jornalista, editor e gestor de conteúdo no GIROMARÍLIA, tem 26 anos de atuação em jornalismo, foi repórter do jornal Folha de S.Paulo, editor-assistente do Diário de Marília e coordenador de redação na Vipcomm Comunicação

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