
O avanço na desocupação do conjunto Paulo Lúcio Nogueira, conhecido como CDHU, na zona sul de Marília, mostra um cenário de danos e vandalismo, detalhes de vidas deixados por moradores, aumento na sensação de medo e percepção de que faltou projeto de cuidado, segurança e fiscalização no processo de saída.
É uma história documentada por relatos pessoais, imagens da destruição de apartamentos, animais abandonados nos prédios e isolamento de famílias que ainda estão nas unidades – o que inclui crianças – .
“Não é fácil. Só Deus sabe das nossas lutas do dia a dia. Faltam 5 dias pra desocupação total e até agora não achei casa pra alugar”, postou um dos moradores.
O homem, com 45 anos, vive no prédio com casal de filhos. Conta que está desempregado e não conseguiu alugar imóvel com o valor do auxílio mudança.

Há ainda outro tipo de vidas deixadas para trás: animais. Várias imagens de cães e gatos pelos prédios.
O cenário nas ruas do empreendimento, que tem 44 blocos de apartamentos, é de uma cidade fantasma com muitos sinais do abandono às pressas. Móveis, objetos pessoais, roupas, louças, decoração, espelhos deixados nos apartamentos reforçam esse modelo.

Ficam cada vez mais perdidos os registros de que o conjunto abrigou muitas famílias, trabalhadores, aposentados e sonhos da casa própria. Aumenta a sensação de medo.

Durante anos ela foi testemunha do uso do conjunto por muitas famílias, pessoas que decoraram, equiparam e valorizaram seus apartamentos.
Na última visita desviou de vários ratos mortos, restos de vandalismo e pela primeira barreira em meses de sua circulação: um homem, aparentemente morador em rua e ocupação, impediu sua entrada em um bloco.

