
Marília - O movimento Mobiliza Famema, que reúne professores, estudantes e profissionais de saúde, incentiva em Marília reação coletiva contra baixos salários em concurso da faculdade, que paga menos que a metade de outras instituições.
Além disso, reforça a campanha por plano de carreira em manifestação de defesa da instituição, estudantes e contra discrepâncias no Estado.
O salário baixo esvazia participação em concurso e interesse de profissionais, com ameaça à qualidade do ensino e avanço em pesquisa e formação.
A mensagem está em publicação do Mobiliza Famema nas redes sociais e dados de instituições em São Paulo e Paraná.
Enquanto a Famema exige médicos com doutorado e oferece salários de R$ 7.686, a Unesp de Botucatu, por exemplo, contrata por R$ 16.356. A diferença é grande também em relação a instituições do Paraná, com salários de R$ 17,4 mil para a UEL (Universidade de Londrina).


“Por que seguimos aceitando o que não faz sentido?”, questiona a publicação. A mensagem aponta ainda que outras instituições avançam com concursos transparentes, salários compatíveis e valorização real da carreira.
“A Famema permanece envolta em contradições que desafiam a lógica e a justiça…Não se trata apenas de números — trata-se de respeito, reconhecimento e compromisso com a educação pública de qualidade.”
Diz ainda que a página “Mobiliza Famema” não é apenas um movimento, mas um chamado à consciência coletiva. “É hora de transformar indignação em ação.”

Espera de 30 anos
A Famema é uma instituição do governo do Estado desde 1994, porém não avançou em estrutura de cargos e salários. Os repetidos governos estaduais enterraram proposta como encampação por universidades e fazem investimentos a conta-gotas.
Um projeto de lei para criar o plano de carreira e salários se arrasta há anos sem votação. Concursos têm baixa adesão ou falta de candidatos.
A publicação não cita, mas há situações ainda como contratações em agências, a exemplo da Artesp, com salários maiores para funções sem exigência de doutorado.
Assim, um médico cirurgião, que cursa mestrado e doutorado de alto nível, tem salário menor que profissionais apenas com graduação.