Wilson Mattos, ícone do rádio revelado na década de 50, morre em Marília

Marília perdeu na madrugada deste domingo o radialista Wilson Novaes Mattos,  o mais icônico nome do rádio, uma referência em comunicação e na história da cidade.

O falecimento foi comunicado pela filha, a bibliotecária Wilza Aurora Mattos, em mensagem nas redes sociais.

O radialista, empresário, professor e contador Wilson Mattos estava internado há alguns dias na Santa Casa da cidade. Timbre da voz, dedicação, polêmicas, tiradas cômicas e mesmo erros em transmissão tornaram-se marcas e base do sucesso e reconhecimento público que sempre teve.

“Lutou pela vida, mas chegou sua hora e ele partiu. Já deixa saudades do seu jeito tranquilo de achar solução para os problemas”, disse Wilza na publicação.,

Filho de José da Silva Mattos e Maria Angélica Mattos, nasceu em 3 de setembro de 1933 na cidade de Bebedouro, aonde o pai chegou para trabalhar com a estrada de ferro.

As fontes em livros, entrevistas e registros oficiais têm algumas divergências de datas e falam de nascimento no ano seguinte. Nos anos 40 a família chegou a Marília, ele ainda criança.

Em 17 de outubro de 1951 estreou na rádio Clube de Marília. Foi apresentador de programas musicais, de auditório e jornalismo.

Atuou como correspondente em emissoras de perfil nacional e quando a tv a cabo permitiu a criação de canais locais tornou-se apresentador no Canal 9, a TV Cidade, de seu sobrinho, o advogado Cassiano Ricardo Ramos Déo, falecido em 2023.

Entrevistou presidentes, empresários, autoridades em todos os níveis, momentos históricos que vão do lançamento de faculdades a jogos de futebol importantes. E ainda manteve trabalho de estúdio em tocar músicas, falar de horóscopo, ler publicidade e atender público. “Sem público não chegamos a ninguém, a lugar nenhum”, dizia.

Virou empresário do setor ao comprar, em sociedade com o ex-prefeito Abelardo Camarinha, a rádio 950 AM.

Atuou com muitos dos principais nomes da cidade, alguns que se tornaram reconhecidos em todo o país e aqueles que seguiram na cidade e tornaram-se referências em comunicação.

São casos como Osmar Santos, Humberto Marçal, Fausto Canova, Walter Saia, Rubens ‘Coca’ Ramos, Moacir Teixeira Pitta.

Em 1989 foi escolhido para ser o representante de Marília no programa Cidade X Cidade, do apresentador Gugu Liberato, que promovia disputas em atividades coletivas em diferentes municípios.

Tem sua história relatada em dois livros: O rádio e suas Histórias na Primeira Pessoa, do jornalista Luiz Casadei Manechini, lançado em São Paulo, em que aparece com grandes nomes, e também Narrativas radiofônicas: a trajetória do repórter Wilson Matos em Marília”, escrito por Wilza Aurora Mattos e Ana Maria Barbosa Rubina.

Também foi diretor regional da Secretaria de Turismo, com atuação em planejamento e atendimento a cidades de toda à região.

De forma paralela à carreira no rádio, conclui o curso técnico de Contabilidade na Escola Fernando de Magalhães, onde foi professor. Cursou Ciências Jurídicas pela faculdade de Bauru.

Casou-se três vezes. A primeira delas em 1961, com Aurora Mattos, com quem teve as filhas Wilza e Denise. Em 1965 com Solange Shimizu Mattos e teve dois filhos, Wilson Mattos Júnior e Éderson. E em 2014 uniu-se a Edi Basso Novaes Mattos

Em abril de 1984 recebeu da Câmara da cidade o título de Cidadão Mariliense, iniciativa do vereador Nadir de Campos e decreto assinado pelo então presidente do Legislativo Aldo Pedro Conelian.

A despedida a Wilson Mattos será feita a partir de 13h no Salão Master do Velório Municipal e o sepultamento foi marcado para às 10h da segunda-feira no Cemitério da Saudade.