Dia a dia, as 72h até o esclarecimento de feminicídio em Marília

O feminicídio que vitimou a bombeira civil Vanessa Anizia Silva Carvalho, aos 43 anos, envolveu quase 72h entre briga, fuga, desaparecimento e relatório final da confissão do autor, Alan Rodrigo Santana Correa, com vários atos no dia a dia em Marília e região.

O que começou como mais uma briga do casal – “comportamento reincidente”, conforme o primeiro registro policial – virou mobilização e comoção na cidade.

As informações no inquérito incluem em alguns detalhes do que Alan Rodrigo Santana Correa, o réu confesso, apresentou. Faltam depoimentos da família, dados da perícia, bem como registros médicos.

Dia 22, segunda-feira

Conforme depoimento de Alan, a discussão do casal começou por volta de 21h. Ele diz que o motivo da discussão foi anúncio de que deixaria a mulher.

Afirmou que tentou sair, ela tomou a chave do carro e fez ameaças contra ele, que foi para o quarto, onde a discussão continuou.

23 de dezembro, terça-feira

A briga virou agressão física no final da madrugada do dia 23, terça-feira. Alan disse que pouco depois das 4h mulher iniciou agressão contra ele, que a empurrou e Vanessa bateu a cabeça. “Meio desacordada, mas não chegou a desmair

A filha de Vanessa relata, inclusive, que acordou às 5h com gritos da mãe e viu Alan aplicar um golpe ‘mata-leão’ na mulher. Relatou ainda manchas de sangue no chão e roupa de cama

Alan leva a mulher para o carro com anúncio de ir ao hospital, ela sai do carro, pede água, contudo, ele a coloca de novo no veículo.

Morte no veículo

O depoimento do acusado mostra que a morte ocorreu pouco depois, antes das 7h, enquanto rodava com ela. Alegou, porém, que Vanessa tentou enforcá-lo, ele reagiu com um canivete e desferiu golpes. A mulher ficou desacordada, mas ele não foi ao hospital.

Retorno, fuga e desaparecimento

A menina sozinha em casa chamou uma tia, que foi à residência e testemunhou Alan chegar com o carro e sair em velocidade ao perceber sua presença.

O agressor disse à polícia que pensou ser o pai da menina no imóvel e fugiu. Fez contato com a filha, não deu detalhes do caso.

Ocultação

Dirigiu até a estrada vicinal que liga Vera Cruz a uma escola agrícola e propriedades rurais. Abandonou o corpo em uma bacia de contenção de chuva, cobriu com capim.

Por volta das 17h30, a família de Vanessa faz apelo em redes sociais por informações sobre a mãe.

Às 23h19, a filha de Alan, que usa nome social de Victor, registrou o desaparecimento na Polícia Civil.

24, véspera de Natal

Às 10h54 do dia 24, Daisy, irmã de Vanessa, vai à polícia e relata a falta de qualquer contato com Alan.

A família repete apelos, o Giro Marília divulga o caso que repercute em redes sociais.

25, quinta-feira, Natal

No dia 25, Natal, dona Iris, a mãe de Vanessa, divulga um apelo às 7h para ‘implorar’ que Alan devolva o corpo da filha. Já havia então a indicação de feminicídio.

Pouco depois das 11h, duas advogadas procuram o Plantão Policial para encaminhar a apresentação de Alan. Elas saem com uma equipe da Polícia Civil para encontrar o suspeito.

Alan, réu confesso, chega à polícia para depoimento e prisão – Reprodução: Balanço Geral/Record Paulista

A prisão acontece por volta de 13h na rua das Piracanjubas, ao lado do Marília Shopping. Começa a negociação para localizar o corpo e, assim, Alan informa o local.

Pouco antes das 13h30 a polícia a polícia encontra o corpo de Vanessa. Polícia científica vai ao local, bem como equipe de resgate do corpo e encaminhamento ao IML.

Os policiais levam Alan à Central de Polícia para depoimento. O registro do caso acontece por volta de 19h40, quase 72h após início da briga, mais de 60h após o crime

– Dia 26, sexta-feira

Sem velório e com caixão fechado, a família de Vanessa Anizia Silva Carvalho faz seu sepultamento no Cemitério da Saudade.