Festas elevam queixas de violência doméstica em Marília e região

Marília - Em apenas quatro dias até o Natal a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) registrou em Marília 29 casos violência doméstica, crime que teve seis prisões em Garça no período, casos em Vera Cruz e uma constatação: tempo de festas é também de riscos em casa para mulheres.

A violência contra a mulher ganhou visibilidade na cidade por casos extremos na reta final das celebrações e duas mortes. Vanessa Anizia Silva Carvalho morreu dia 23 e Maria da Glória Lima no dia 29 vítimas de homens com quem viviam.

Diferente de outros casos preocupantes, como os estupros, importunação ou outras situações de violência, como roubos, são agressões onde deveria haver abrigo.

Para a delegada titular da DDM na cidade, Darlene Rocha Costa Tozin, os casos das festas impressionam, mas o balanço anual já chama atenção.

A delegacia foi, aliás, a campeã de casos na cidade, mas também respondeu com ações de repercussão

Festas elevam casos de violência contra a mulheres, veja dados de Marília e região
Delegada Darlene Costa durante prisão: Festas elevam casos de violência contra a mulheres

Citou operações relevantes que resultaram na prisão de agressores e no enfrentamento direto à violência contra mulheres e idosos. A Unidade também atuou em ocorrências de extrema gravidade, como estupro de vulnerável, importunação sexual e feminicídio.

“Esses dados revelam não apenas a severidade das situações atendidas, mas, sobretudo, a resposta firme e imediata da Polícia Civil.”

A delegada incentivou mulheres a registrarem queixas, buscar atendimento e acolhimento dos serviços oficiais na polícia e mais instituições.

Iris Silva, mãe de Vanessa, vítima de feminicídio, na porta da CPJ
“Estrutura ainda tolera”

Em Garça, a titular da Delegacia da Mulher, Renata Ono, relatou um feriado movimentado. A polícia efetuou quatro flagrantes e duas prisões diretas por violência de gênero

Até novembro de 2025, a polícia instaurou 275 inquéritos naquela cidade, praticamente o mesmo volume de 2024 – 276 casos -.

“Falar de violência doméstica é falar de poder. É falar de uma estrutura que ainda tolera que mulheres sejam tratadas como propriedade, como alguém que deve obediência, silêncio e resignação”, disse.

Festas elevam casos de violência contra a mulheres, veja dados de Marília e região
Renata Ono, delegada de Defesa da Mulher em Garça

Ou seja, a delegada destaca que não se trata de um problema privado. “É um problema social, jurídico, político e da própria humanidade.”

Apesar da estabilidade no número de investigações, os crimes de estupro cresceram de forma significativa, principalmente contra vulneráveis. A cidade que teve 16 casos até novembro de 2024, registrou 26 no mesmo período em 2025.

Vera Cruz

Em Vera Cruz, o balanço de fim de ano aponta três ocorrências graves, inclusive com caso que teve agressão, ameaça e reação até contra policiais.

A cidade, com pouco mais de dez mil moradores, ganhou visibilidade ainda com um feminicídio em agosto. Contabilizou 63 boletins de ocorrência de violência doméstica ao longo do ano.

Do mesmo modo, foram protocolados 45 pedidos de medidas protetivas de urgência, reforçando a busca das vítimas por segurança imediata.