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Giro Marília -Governança corporativa, compliance e ética

As diversas transformações no ambiente empresarial vêm fazendo com que organizações públicas ou privadas, de todos os portes, foquem seus esforços na criação de valores para todos aqueles que estão envolvidos com sua operação. Isso as tem estimulado a pensar em normas e regras mais rígidas para a condução de seus negócios, com maior responsabilidade social e ética.

No panorama atual, no qual a operação Lava-Jato trouxe à tona escândalos políticos e financeiros com grande prejuízo ao País, a transparência e a ética se tornaram pontos estratégicos para que as organizações se diferenciem por meio de adoção de regras e normas mais rígidas de condução dos negócios, adotando as boas práticas de governança e o compliance. O que deveria ser nato (transparência e ética), passa a exigir normas e regulações para serem cumpridas.

A governança corporativa é o conjunto de boas práticas que as empresas adotam para garantir maior transparência, equidade de tratamento, prestação de contas e responsabilidade social. É uma forma de administração que procura motivar maior credibilidade e valor no mercado para as organizações, ganhando, consequentemente, maior competitividade e garantias de que todos os processos internos e externos sejam cumpridos com o máximo de ética possível.

É impossível pensar em uma boa governança sem uma excelente gestão de compliance, ou seja, o conjunto de códigos de condutas e ética das organizações, incorporando a responsabilidade corporativa no que tange a estratégia empresarial, contemplando todos os relacionamentos com a sociedade. Assim, dois setores dentro das empresas passam a ganhar status estratégico: a auditoria interna e o departamento jurídico.

É importante salientar que, dependendo do grau de desenvolvimento do país, a governança corporativa irá apresentar características específicas. Em mercados mais desenvolvidos, o foco é procurar resolver conflitos entre o proprietário e o administrador da empresa; e, em países com mercados menos desenvolvidos, como o Brasil, o problema central é garantir a igualdade e transparência, conquistando a confiança do mercado (consumidores, fornecedores, investidores, bancos, entre outros) para a obtenção de financiamentos mais baratos e aumento de competitividade.

O tema ainda gera muita discussão sobre ser ou não modismo, mas administradores mais antenados já perceberam a diferença de tratamento entre empresas que executam as boas práticas de governança e as que não as põem em prática. A própria B3 tem incentivado empresas a abrirem seu capital no Novo Mercado (nível mais alto de governança) e a migração das empresas do mercado tradicional para algum nível de governança.

Assim, é possível afirmar que sem a ética nada disso surtirá efeito e que a mudança cultural se faz necessária. O “jeitinho brasileiro” é um atraso para o País e quem sofre diretamente com isso é a população. Empresas geram riquezas e crescimento econômico, impactando diretamente a vida de todos nós.

Profª Ms. Ana Cláudia Rossetto Silva
Mestre em Ciências Contábeis pela PUC/SP
Coordenadora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da UNIMAR


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Coluna destinada a promover a comunicação da universidade com a sociedade e para a divulgação das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Marília.

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