Colunista | Viviane Gonçalves

Giro Marília -A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá.*

Conversando com minha terapeuta essa semana sobre minha dificuldade em relacionar-me e o quão o mercado masculino está ruim, fiz a seguinte constatação: tenho dó das mulheres da minha idade.

Obviamente não falávamos somente dos relacionamentos amorosos, no entanto, ela me dizia que eu era muito seletiva e, talvez, essa seria a dificuldade em encontrar uma pessoa que se adequasse aos meus critérios.

Infelizmente essa não é a verdade, as mulheres estão a anos luz dos homens enquanto os mesmos estão desorientados procurando localizar-se socialmente.

Era o tempo em que mulheres casavam para ter um provedor ou se mantinham num relacionamento amoroso única e exclusivamente por questões financeiras.

Hoje, as relações amorosas estão mais complexas, mulheres querem e buscam segurança, mas também querem parceiros, companheiros para a vida, para os bons e maus momentos.

Veja bem, as conquistas feministas, sim, são conquistas feministas, nos trouxeram inúmeros benefícios e liberdade, mas também nos trouxeram ônus.

Antes a mulher ficava circunscrita ao ambiente privado e doméstico, sua obrigação era servir ao marido e ser-lhe obediente, esse, por sua vez, tinha como pressuposto sustentar sua casa e  família, incluso no pacote a mulher.

Atualmente, ambos trabalham, possuem inúmeros compromissos fora do ambiente doméstico, mas quando estão no convívio familiar quem é que vai arrumar a casa, lavar louça, roupa, cuidar dos filhos?

A mulher conseguiu economicamente não depender do homem, mas continua dependendo emocionalmente e socialmente, já que esse jogo da cobrança por filhos bem criados e casa bem arrumada continua na conta das mulheres.

Qual a percepção dessa humilde mulher que vos escreve? É que a mulherada está cada vez mais independente e focada e que os homens mal sabem manipular um clitóris.

Sem trocadilhos e sem maldade nesse “manipular o clitóris”.

Daí o que ocorre, algumas mulheres numa busca desenfreada por um macho, suportam qualquer coisa, jornada dupla, tripla, quádrupla, tudo a fim de manter um homem por perto, aquele prêmio de consolação e para algumas, Deus me livre ficar conhecida como solteirona ou “ficar para tia”.

O que você encontra por aí? Mulheres exaustas, irritadiças, tristes, sem brilho no olhar porque ao invés de encontrarem um cara bacana que lhe dê suporte, que seja companheiro, colocaram sobre sua pele uma sanguessuga.

Um vampiro que vai tirando tudo que a mulher tem de melhor, viço, inteligência, força, garra para correr atrás de seus objetivos.

Homens-carrapatos, parasitas, que não oferecem nada além de sua presença asquerosa e sem ganho nenhum para a mulher que se relaciona com ele.

Questiono o porquê mulheres tão maravilhosas, bem resolvidas, instruídas, capacitadas para quaisquer acidentes de percurso ainda toleram esse tipo de relacionamento que não agrega.

A resposta precisa de um estudo bem apurado a fim de esclarecer esse medo que as mulheres têm de ficar sozinhas ou “pra varrer terreiro” como certa feita minha mãe me disse.

Sem neurose com a solidão, ela é condição inerente ao ser humano, ficar para tia é uma delícia, nessa brincadeira já tenho cinco sobrinhos lindos, se for para varrer terreiro, que seja o da minha casa e cheia de paz de espírito.

Para carrapatos, retire com uma pinça e coloque num recipiente com álcool, para sanguessugas, retire da sua pele e jogue sal, para o vampiro que está tirando teu sangue, dê um tchau de miss e siga em frente, porque para atrasar nossa vida já temos inúmeras coisas, nem para isso você necessita desse macho.
 


*referência ao livro de Provérbios capítulo 30 versículo 15


Giro Marília -Viviane Gonçalves
Viviane Gonçalves
Cientista social formada pela Unesp- Marília, uma curiosa nos estudos que se referem às mulheres, adora literatura, poesias e filmes. Acredita que Adélia Prado tinha razão, mulher é mesmo desdobrável.

Matérias anteriores deste(a) colunista >