Colunista | Viviane Gonçalves

Giro Marília -Vivi, a conselheira amorosa.

De uns tempos para cá tenho percebido que ando ganhando um novo status: conselheira amorosa.

Sim, isso mesmo: conselheira amorosa.

Das três uma, ou eu sou muito confiável e as pessoas, de forma geral, acreditam que seus segredos e sofrimentos não sairão dali, do caso, daqui, ou olham para minha vida como um bom exemplo a ser seguido, ou estou envelhecendo e as pessoas sacaram que só sirvo pra isso mesmo.

O que, muito me surpreenderá se for a segunda opção. Sou uma somatória de fracassos amorosos. Não por falta de esforço, mas por falta de talento mesmo.

Mas voltemos com a minha habilidade de coach amorosa. Não tenho.

Fulana fez isso comigo, meu conselho,ah, perde tempo com isso não. Vai procurar alguém que não seja tão fresca.

Sicrano me tratou assim, ué, trate de volta, reciprocidade é tudo.

Contei para beltrana sobre tal coisa e a mesma se chateou. Não conte, se ela não tem maturidade para lidar com tua sinceridade, não conta.

As relações nos põe doidos. Pisando em ovos e gastando uma energia louca. Interessante como somos necessitados da presença do outro. Como buscamos pares constantemente e nos desgastamos com as procuras, os encontros e os adeuses ou até breve.

É um troço cansativo e chato,no entanto, necessário.

Desconheço uma sensação de maior vivacidade do que estar apaixonada.

A
 vida ganha um relógio próprio, funciona em outra toada, o mundo corre, você caminha de forma suave ou vice-versa.

A paixão desconfigura nosso pretenso controle e nossas certezas sobre nós mesmos.

Eu, euzinha, segura, determinada, focada, grávida de símbolos e números, apaixonada, volto ter 15 anos.

Os alvos de minha paixonite podem assegurar o que afirmei acima.

Ninguém, ninguém,nenhumazinha pessoa do mundo tem receitas para fazer com que, o que você sente aí, o que o outro está sentindo, como vocês vivem isso, pode dá certo ou errado.

Outra afirmação sobre minha nova carreira, é que as relações são ímpares, ninguém que chega tem culpa do que te fizeram antes.

Relação nova com gostinho de fruta colhida do pé e mordida na hora. É fruta nova, você já conhece o gosto, mas é diferente, mais doce, mais cítrica, menor ou maior. É a mesma fruta mas diferente.

Então pegue caderno e caneta, folha de sulfite, o que tiver à mão e anote aí meu conselho do dia.

Quando o amor vier, porque ele sempre vem, mesmo depois dos destroços, coração cheio de cicatrizes e tristezas, ame

Não põe muita regra nisso não. Até porque numa determinada hora perceberá que deixou de cumprir todas.

Só ame. Para qualquer coisa da vida, meu conselho é: ame. Se não for o outro, que seja você mesmo. Apenas ame.

Pensando bem, acho que tenho talento para a minha nova profissão. Não tem conselho melhor e mais barato. Aliás, vou começar a me ouvir mais, ando precisando de conselhos.


Giro Marília -Viviane Gonçalves
Viviane Gonçalves
Cientista social formada pela Unesp- Marília, uma curiosa nos estudos que se referem às mulheres, adora literatura, poesias e filmes. Acredita que Adélia Prado tinha razão, mulher é mesmo desdobrável.

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