Giro Marília -Barroso argumenta que voto impresso "vai potencializar o discurso de fraude"

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Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral
Nelson Jr./SCO/STF
Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso afirmou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (21) que diante da aprovação da PEC do voto impresso pelo Congresso , a Corte adotará todas as medidas necessárias para a sua implementação ainda nas eleições de 2022. O ministro, contudo, voltou a afirmar que na sua avaliação a adoção do voto impresso representa o retorno das fraudes no processo eleitoral.

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"O voto impresso vai potencializar o discurso de fraude e vão pedir, como já se pediu aqui, a contagem pública de 150 milhões de votos, e contagem pública só pode ser manual. Portanto, nós vamos entrar no túnel do tempo, e voltar ao tempo das fraudes em que as pessoas comiam votos, urnas desapareciam, apareciam votos novos. Nós vamos produzir um resultado muito ruim, portanto vai ser um mal para a democracia brasileira", disse.

A entrevista foi concedida após uma reunião da equipe técnica do TSE com 12 deputados que fazem parte da comissão especial que analisa a PEC 135/2019. Na abertura da reunião, o ministro afirmou que o objetivo do encontro era demonstrar aos integrantes da comissão o trabalho realizado pelo TSE para garantir eleições seguras, transparentes e totalmente auditáveis e responder aos questionamentos dos parlamentares sobre o funcionamento da urna.

"Essa sessão de trabalho procura demonstrar que as eleições brasileiras são seguras, transparentes e auditáveis e vamos percorrer cada item com questões técnicas. Não é para mudar a convicção e compromissos políticos de cada um, é para mostrar transparência e fiscalização", afirmou.

Uma das participantes do encontro, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) -- que é autora é da proposta que prevê a impressão do voto assim que ele for feito na urna eletrônica -- defendeu a contagem pública dos votos e disse que a dúvida do eleitor não pode ser desprezada.

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"O escrutínio tem que ser público, a contagem é um ato administrativo. o voto é secreto, mas a contagem tem que ser pública e tampouco pode ser feita em uma sala do TSE", declarou.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também estava na comitiva, reforçou o discurso de Kicis sobre contagem pública dos votos e disse que há entre os eleitores brasileiros um "sentimento de desconfiança" que não havia no passado.

Investigação da PF

Barroso afirmou ainda que toda iniciativa de investigação por parte da Polícia Federal para o levantamento de possíveis denúncias de fraude nas eleições anteriores será acolhida pelo TSE, conforme o protocolo normal adotado pelo Poder Judiciário para esses casos.

Nesta sexta-feira, a colunista Malu Gaspar mostrou que a direção da PF enviou às superintendências regionais uma ordem para que forneçam à Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor) todas as denúncias de fraudes na urna eletrônica recebidas pela corporação. A comunicação foi disparada duas horas depois de uma entrevista em que Barroso desafiou Bolsonaro a apresentar provas de fraudes no uso da urna eletrônica nas eleições de 2018.


"A única coisa que eu posso dizer é que qualquer cidadão, seja a Polícia Federal ou não, que tenha algum elemento relativo à ocorrência de fraude que seja relevante ao processo eleitoral, nós temos todo o interesse de receber. A verdade é que, desde 1996, quando começaram as urnas eletrônicas, até hoje, portanto, passados 25 anos, nunca chegou nada documentado de fraude", disse.


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