Dia ensolarado, pista seca e limpa, muita empolgação e incentivo de profissionais em manobras perfeitas fizeram o primeiro dia do Dean Contest de Skate nesta sábado em Marília. Dezenas de crianças e adolescentes apareceram para as competições nas categorias Mirim e Iniciante, mostraram vontade e ganharam apoio de quem já faz carreira na modalidade.

“O movimento está acima do esperado, bastante gente mesmo e amanhã ainda mais, porque vai ser a competição mais importante, com os amadores, os prêmios, a Marreta da Öus. Hoje vieram mais participantes, amanhã deve dar público mesmo”, disse o skatista amador Thiago Gonçalves, organizador do evento.

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Pelo menos três skatistas de primeira linha vieram de longe prestigiar o evento:  Daniel Mordzin, Felipe Ortiz e Dwayne Fagundes. Enquanto os adolescentes faziam aquecimento eles apresentavam manobras na pista, posavam para fotos e acompanhavam novos talentos.

O evento atraiu grande público regional. Vans, micro-ônibus e carros de outras cidades funcionaram como suporte para público e participantes de toda a região, especialmente Assis.

“A gente está aí tentando. Vim com uns amigos de Maracaí, encontrei amigos de Assis e arrumaram uma casa para ficar. Já viajei, disputei em outras cidades, fui sétimo em Aracaju”, conta Davi, 26, skatista de Assis que acompanhava as primeiras baterias.

Viu os profissionais, gostou das manobras mas não pensa na modalidade como carreira. “Skate por enquanto é diversão, viajar, amigos, curtir mesmo”, disse o skatista, que estuda história na Unesp de Assis.

Outro aluno de história, Mateus, 23 anos, começou a andar de skate aos 17, mas saiu em poucas viagens. Não faz por profissão. “O legal é sair, viver esse clima. É um estilo de vida mesmo. O skate, as roupas, os amigos, a música”, afirmou Mateus, que integra uma banda de hardcore em Assis.

Nicolas, 21, e Daniel, 16, vieram de Maracaí “para curtir o rolê” e aproveitar os dois dias. Eles devem tentar a sorte neste domingo, quando as manobras podem valer até R$ 2.000 para o vencedor, além de prêmio de R$ 500 para o segundo, R$ 300 para o terceiro e R$ 200 para a melhor manobra na Marreta da Öus.

Ricardo Tanaka, 45, comerciante de Guaiçara, veio a Marília trazer o filho Yuki, 14, que disputou baterias na categoria mirim. O pai incentiva, desde que siga bem na escola. Não arrisca dizer se o filho vai profissionalizar. “Desde que vá bem na escola, a gente incentiva, vem junto, ajuda ele a fazer o que gosta”, explicou.

E como ajuda. Depois que o filho começou a viajar em competições Ricardo decidiu montar uma loja de peças para skate. “Em Guaiçara o mercado é pequeno, mas ficou mais barato manter o skate e as viagens dele.”  Yuki retribui. Vai às competições mas não relaxa na escolar e não fala em carreira. “Por enquanto quero me divertir.”

Thiago Souza, 35, tatuador, veio de Bauru trazer o filho, Matheus, 16, skatista da categoria iniciante, com apoio e sem pressão. Perguntado se quer ver o filho profissionalizar, ele foi categórico. “O que eu quero é que ele seja feliz”. Thiago e Michele, que o acompanhava, são integrantes do CBS (Circuito Bauru de Skate), incentivam a modalidade e participam em eventos.

“É um estilo de vida que tem vários modos de conduta: você pode estar no modo rolê e curtição, mas tem o modo campeonato, o modo vídeo, o modo street. Quando você profissionaliza tem que pensar na arte, mas sem perder o foco da técnica, das manobras, do julgamento. Tem um lado esporte, que é competição”, disse Thiago.

É um modo que exige – como estar na estrada – mas recompensa. Henrique Igi, 12, é campeão paranaense e já está no foco das grandes marcas. Viajou de Curitiba a Marília com patrocínio e passou o primeiro dia acompanhando provas deitado em uma rede. Pensa em viver de skate? “Já estou vivendo.”


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